Bem estar

Publicado em 10.10.11 às 13:10 hs

Cuidados com as aves no período frio

Autores: Paulo Giovanni de Abreu, Valeria M N Abreu

Pesquisadores Embrapa Suínos e Aves

 

Um dos pontos mais importantes do manejo inicial dos pintos e que tem sido muitas vezes negligenciado é o aquecimento do ambiente. A ave, por ser um animal homeotérmico, tem habilidade para manter constante a temperatura dos órgãos internos. Entretanto, o mecanismo de homeostase é eficiente somente quando a temperatura ambiente está dentro de certos limites, pois as aves não se ajustam bem aos extremos. Essa fase inicial é marcada pelo rápido desenvolvimento da ave e também por mudanças fisiológicas importantes, tais como desenvolvimento do sistema termorregulador, início do desenvolvimento de imunocompetência, além do desenvolvimento de músculos, sistema ósseo e gordura. Portanto, o comprometimento na fase de desenvolvimento da ave afeta negativamente o desempenho final do lote. Assim, no período frio a maior preocupação do produtor é de proporcionar condições ambientais de conforto exigidas pelas aves jovens. Normalmente, nesse período os valores de temperatura ambiente se encontram abaixo das condições ideais, principalmente na região Sul do Brasil, em que o frio é mais intenso, obrigando o avicultor a fornecer fonte de aquecimento suplementar para as aves. Em temperaturas abaixo da condição ideal de 32ºC a 35oC na primeira semana de vida, as aves tendem a se amontoarem e aumentar a ingestão de ração como estratégia para aumentar a produção de calor e manutenção da sua homeotermia. Se a temperatura ambiente não se encontra próxima das exigências térmicas de conforto das aves, grande parte da energia ingerida na ração, que poderia ser utilizada para produção, é desviada para manutenção do sistema termorregulador. É indiscutível o fato de que baixas temperaturas aumentam o consumo de alimento. A ave necessita de alimento adicional para produção de calor, mas, além disso, tem que manter a taxa de crescimento e, em alguns casos, melhorá-la. Essa condição resulta em menor ganho de peso que dificilmente será recuperado e sendo responsável também pela a desuniformidade do lote.

Sabe-se que o mecanismo termorregulador da ave é pouco desenvolvido para suportar temperaturas elevadas e que, em condições de temperatura baixa, o organismo animal reprime sua dissipação de calor para o ambiente e aumenta sua taxa metabólica, comandadas pelo sistema termorregulatório. Aves mais novas requerem mais calor, sendo que a temperatura de conforto da ave na primeira semana de vida é aproximadamente 32ºC a 35ºC. Isso porque, na fase de eclosão os ovos são mantidos à temperatura próxima de 35ºC, fazendo com que nos primeiros dias de idade dos pintos a temperatura ambiente esteja próxima deste valor evitando choque térmico. À medida que a ave cresce, o sistema termorregulador se desenvolve, reduzindo a temperatura de conforto em 3ºC por semana.

A produção de calor, as exigências de oxigênio e o volume de dióxido de carbono expelido por pintos de um dia variam em função da temperatura ambiente. A ave produz pouco calor e como conseqüência, menor produção de CO2 e menor necessidade de ar na primeira semana de vida se a temperatura ambiente encontra-se entre 32ºC a 35oC. Baixas temperaturas e oscilações acentuadas estão fortemente correlacionadas com surtos de síndrome ascítica e de morte súbita, sendo apontados como fatores que aumentam a taxa metabólica e a demanda de oxigênio da ave, responsáveis pelo aparecimento desses surtos.

O aquecimento deve ser iniciado pelo menos 3 horas antes da chegada dos pintos. No inverno não se deve tirar totalmente o aquecimento antes do 21o dia. O sistema de aquecimento deve permanecer instalado e em condições de uso para qualquer emergência.

O aquecimento local, que se baseia no aquecimento somente da superfície do local onde se alojam os pintos, em relação ao volume do aviário, é um processo bastante eficiente em termos de economia de energia, ou de gás, uma vez que o aquecimento é fornecido somente para aves.

No inverno esse item merece atenção redobrada, pois além da necessidade de suprir a diferença existente entre a temperatura ideal para os pintos e a temperatura ambiente, é necessário estar atento para controlar a temperatura dentro do aviário nas horas em que a temperatura externa aumenta, principalmente em regiões de amplitudes térmicas elevadas. Nesse sentido, vários tipos de aquecedores foram desenvolvidos, buscando a melhor forma de fornecer calor e proporcionar conforto térmico às aves com menor consumo de energia. Esses equipamentos estão cada vez mais aperfeiçoados, funcionais e eficientes. Atualmente, há grande variedade de sistemas e formas propiciar ambiente adequado para as aves que utilizam como fonte de energia a lenha, GLP, energia elétrica, solar e biomassa. O importante é dispor de potência calorífica adequada com baixo custo. O controle dos sistemas de aquecimento pode ser realizado manualmente, ou automaticamente com sistemas eletrônicos, e um indicativo de conforto das aves está no seu comportamento.

O comportamento da ave é um bom indício do funcionamento adequado do equipamento. Quando há afastamento das aves da fonte de calor indica excesso de calor emitido pelo sistema. Quando há aglomeração das aves em determinado local é indicativo de corrente de ar. Se existe muita aglomeração, isso é indício da necessidade de mais aquecimento. Como condição ideal de comportamento, as aves permanecem uniformemente distribuídas na região de aquecimento. Se apresentarem asas e pescoço estendidos ou bicos abertos é sinal de aquecimento elevado.

O desempenho térmico dos aviários no período do frio pode ser melhorado com o uso de isolantes sob as telhas como o poliuretano, poliestireno, mantas térmicas, lã de vidro ou similares. A utilização de cortina dupla e de estufa, que consiste de cortinas instaladas nas laterais e na parte superior da área destinada ao alojamento dos pintos tem se mostrado eficiente na retenção de calor emitido pelos sistemas de aquecimento e redução da mortalidade por ascite. O uso de forro também melhora o conforto térmico das aves nesse período, reduzindo a amplitude térmica no galpão. Esse atua como segunda barreira física, a qual permite formação de camada de ar junto à cobertura e reduz o volume de ar a ser aquecido.

Atenção especial deve ser dada para a ventilação necessária no período frio, que nesse caso tem um objetivo definido, sendo por razões higiênicas, exclusivamente. Essa condição vai se refletir na localização, área e forma de abrir dos dispositivos de entrada e saída de ar, de maneira que o fluxo de ar se desloque pela parte superior do aviário renovando o ar e evitando qualquer aumento potencial de dióxido e monóxido de carbono e amônia. A quantidade de ar que precisa ser renovada por razão higiênica é pequena, sendo necessárias apenas superfícies reduzidas de entrada e saída de ar. O importante é que o fluxo de ar não incida diretamente sobre as aves.

Outro fator que se deve atentar e muito importante é a temperatura da água. Os pintos reduzem muito o consumo de água se essa não estiver dentro da temperatura exigida. A temperatura da água deve estar entre 15ºC a 20oC, lembrando que o consumo de água é determinante do consumo de ração.

 

 

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