Veja os cuidados que devem ser tomados
Luiz Eduardo Ristow
Médico Veterinário
tecsa@tecsa.com.br
Medidas preventivas são os requisitos fundamentais para se obter bons resultados com suínos no inverno. Apesar de esses animais serem uma espécie que prefere as baixas temperaturas, medidas devem ser tomadas para evitar aparecimento de doenças ou mesmo descontrole de doenças ate então controladas ou subclinicas e inaparentes com conseqüentes prejuízos econômicos. Os prejuízos podem ser diretos devido a morte de animais e diminuição do ganho de peso /peso ao abate ou ainda indiretos com aumento de gastos com medicamentos curativos e mesmo gasto com mão de obra.
O frio pode afetar o bom rendimento das diversas fases da vida do suíno, desde a gestação até a terminação.
Animais submetidos ao desconforto térmico gastam nutrientes para obter energia e manter a temperatura corporal, isto afeta negativamente seu crescimento e desenvolvimento.
Outro importante fator negativo do frio nos animais é a diminuição da resistência dos animais frente a doenças.
Então temos dois pontos fundamentais para evitar o efeito negativo sobre a produção da granja: conforto térmico e aumento da resistência dos animais.
Conforto térmico
O conforto térmico deve estabelecido desde a maternidade ate a terminação. Na maternidade, a preocupação principal é com leitões nas primeiras semanas de vida. Deve-se avaliar o controle de arejamento e temperatura da sala, ter um cuidado especial e fazer a manutenção dos janelões ou das cortinas. Mas alem disto devemos rever o escamoteador e se necessário aumentar a quantidade de cama (maravalha, papel, etc) e/ou trocar as lâmpadas e fonte de calor para um maior aquecimento em épocas mais necessárias. O aquecimento dos leitões é fundamental nascem com baixos níveis de glicose e buscando o aquecimento no corpo da mãe podem morrer esmagados.
Com a creche o cuidado deve ser ainda maior, principalmente na primeira semana de instalação dos leitões. Após o desmame, os leitões alem de assustados , estressados são submetidos a um novo ambiente com uma nova hierarquia devido a uniformização da leitegada e assim ficam debilitados. Novamente o conforto térmico é fundamental e nesta época mais fria pode ser necessário colocar lâmpadas mais fortes e abafadores.
No estágio de crescimento e terminação a fase mais crítica já passou mas novamente a mudança de ambiente e nova hierarquia social somado a temperaturas baixas ou muitas vezes ainda o pior, grandes amplitudes térmicas com dias quentes e noites muito frias levam a baixa de resistência dos animais. Por esse motivo se deve dar atenção para controlar os ventos usando as cortinas, principalmente, à noite. E há ainda regiões que se mantem as lâminas d`água também secas durante o período noturno.
Resistência do animal
Apesar de todos os esforços em se manter o conforto térmico dos animais, sabemos que mesmo assim estes sofrerão em algum momento os efeitos do frio e terão seu sistema imunológico e resistência afetada.
Somado a isto, ainda temos a situação que ao tentar manter a temperatura de conforto dos animais nas instalações, temos um ambiente mais fechado e consequentemente com o ar mais saturado de gases, poeira e mesmo agentes patogênicos em suspensão no ar.
As doenças são estabelecidas quando a grande presença de agentes patogênicos (chamada de pressão de desafio) ultrapassa os limites da resistência do animal. Então em um potencialmente contaminado, com grande presença de animais e muitas vezes com alguns animais sem resistência suficiente, a pressão de desafio aumenta e animais adoecem em maior freqüência, causando as perdas e prejuízos.
Geralmente vemos os problemas respiratórios ate então sob controle, aumentarem de incidência, assim como problemas entéricos em maternidades, creches e mesmo terminação.
É muito comum o reaparecimento de mortes súbitas na creche e mesmo encefalites causadas por Streptococcus suis, devido a baixa imunidade.
Sabemos que nesta época do ano a desinfecção pode ser mais falha devido a mão de obra que também sente frio, o menor efeito desinfetante quanto mais frio e mesmo o menor uso de água para evitar maior perda de calor. Isto tudo também contribui para um maior desafio dentro das instalações.
O que fazer?
Primeiramente devemos rever as condições das instalações e seu conforto térmico, desde a estrutura de alvenaria ate mesmo os fechamentos com janelas e cortinas que devem estar com boa funcionalidade.
Retreinar a equipe de trabalho para maior atenção ao conforto térmico dos animais em diferentes fases e idades, através da avaliação do comportamento destes e também do bom uso de termômetros nas salas.
Estabelecer o programa de desinfecção no inverno, lembrando que uso de detergente facilita a mão de obra alem de retira com mais facilidade a matéria orgânica e a desinfecção nas horas mais quentes do dia tem maior eficácia. A supervisão da execução é aconselhada alem do uso de tempos em tempos de testes laboratoriais que comprovem a boa desinfecção.
Manter um programa de bioseguridade/biossegurança efetivo a fim de impedir a entrada na granja de animais doentes ou portadores assintomáticos (uso do quarentenário), alem de impedir entrada de visitas potencialmente portadoras.
Realizar um estudo dentro do ambiente de granja, a fim de diagnosticar quais agentes etiológicos estão atuando de fato na granja e se programa de antimicrobianos em uso esta realmente adequado.
Para aumento da resistência dos animais, deve-se adotar um programa de vacinação realmente preventivo, ou seja, antes do aparecimento ou aumento de casos de doenças. Isto é tecnicamente recomendado e fácil de estabelecer quais os agentes que mais desafiam especificamente a granja através de exame de animais sentinelas e sorologia. Vacinas especificas para granja (autógenas) ou comerciais são recomendadas após diagnostico conclusivo dos agentes envolvidos e qual o momento ideal para vacinação naquela granja.
As Vacinas são utilizadas para:
- Reduzir a ocorrência da doença clínica
- Reduzir a pressão de desafio
- Otimizar a eficiência de outras medidas de controle
Diagnosticar precocemente os maiores desafios da granja e adotar um bom programa de vacinação é evitar perdas, prejuízos e correrias em época de bom mercado.
Fazer uso de antimicrobianos quando estritamente necessário e sob antibiograma, para evitar resistência.
Realizar monitorias sanitárias, através de exames laboratoriais, periodicamente.
A adoção de um plano de ação para entrada no Inverno é profissionalismo e chave do sucesso para bons resultados.
Saúde a todos !
Luiz Eduardo Ristow





